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Jornadas Tabor 2017

Proteger, reparar garantir
Mapeando futuros possíveis para a intervenção com jovens.

Comissão Organizadora:

  • Paulo Lourenço, Centro Jovem Tabor
  • José Resende, CICS.NOVA, FCSH/NOVA
  • Bruno Dionísio, CICS.NOVA, FCSH/NOVA
  • Maria de Jesus Martins, Centro Jovem Tabor
  • João Feijão, CICS.NOVA, FCSH/NOVA
  • Rosangela Duarte, Centro Jovem Tabor
  • Sónia Banza, Centro Jovem Tabor
  • António Silva, Centro Jovem Tabor
  • Luís Gouveia, CICS.NOVA, FCSH/NOVA
  • Tiago Pina, Centro Jovem Tabor
  • Alexandra Duarte, Centro Jovem Tabor

Comissão Científica:

  • José Resende, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA)
  • Bruno Dionísio, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA)
  • Paulo Lourenço, Universidade de Santiago de Compostela
  • Carole Gayet-Viaud, Centre d’Étude des Mouvements Sociaux, Institut Marcel Mauss, École des Hautes Études en Sciences Sociales
  • Catarina Tomás, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA) & Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa
  • Gabriela Trevisan, CIEC/Universidade do Minho & Observatório da Intervenção Socioeducativa para os Direitos Humanos Aplicados, Escola Superior de Educação Paula Frassinetti
  • Luca Pattaroni, Laboratoire de Sociologie Urbaine (LaSUR), École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL)
  • Magda Nico, Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa
  • Manuela Ferreira, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
  • Marc Breviglieri, Haute École de Travail Social de Genève
  • Maria João Leote Carvalho, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA),Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA)

Apresentação

Nunca como hoje os seres mais novos foram tão bem cuidados, ouvidos e reconhecidas na sua condição infantil, adolescente ou juvenil. E, contudo, nunca como hoje o sentimento contrário foi tão intenso. Devedora de enormes metamorfoses demográficas, políticas, sociais e culturais, a sensibilidade aguçada em torno dos problemas infantis e juvenis tem refeito permanentemente as conceções sobre o lugar e os modos de (vi)ver a infância e a juventude, edificando novas perceções do risco e do perigo. Tal parece estreitar cada vez mais os limites do contorno que separa o normal do desviante, o aceitável do inaceitável, o suportável do insuportável.

A conversão das condições inóspitas de vida infantil e juvenil em problemas públicos é tardia mas vertiginosamente acelerada. A exclusão da criança e do jovem da arena pública – seja pela vivência secreta do sofrimento no casulo familiar, pela intermitente e precária passagem pela instituição escolar, pelos olhos cerrados ou deliberadamente desatentos da comunidade, pelo enclausuramento e sacralização das instituições totalizantes – é suplantada por um trabalho, sem paralelo histórico, de denúncia, de visibilização e de vigilância pela garantia dos direitos dos mais novos. Patrocinada pelas políticas transnacionais de salvaguarda dos direitos, as famílias, as escolas e demais instituições são postas à prova do reconhecimento da grandeza e da singularidade da criança e do jovem modernos. Através de um processo de dessacralização das instituições e da autoridade dos adultos, opera-se uma conversão dos problemas íntimos em problemas públicos, quer dizer, uma operação de tradução de intimidades de vida, tidas como arriscadas e perigosas, em objeto de escrutínio e de intervenção pública.

De fato, o estreitamento do mundo – normal – de possíveis para viver e ser criança ou jovem, ao metamorfosear os ritos de passagem para a vida adulta (como a protelação da maternidade e da paternidade, o prolongamento da obrigatoriedade escolar, o balizamento estreito das famílias consideradas bem ou mal tratantes, a padronização dos corpos bem ou mal cuidados, protegidos e saudáveis), produz uma multiplicação de seres vulneráveis e a explosão de categorias e de modos de qualificar o risco a eles associados (risco de abandono escolar precoce, risco de negligência e de maus tratos, comportamentos sexuais de risco, consumos de risco, risco de exclusão social,…).

Das promessas políticas universais (encabeçadas pela declaração dos direitos da criança) aos dispositivos de intervenção local de que os Estados Providência mais avançados se munem, e os programas, projetos e medidas de atuação, prolifera uma gama alargada de profissionais de múltiplas formações, sofisticam-se os instrumentos e as estratégias de intervenção junto dos problemas. Longe de se tratar de um campo homogéneo, quer os olhares sobre as crianças e os jovens, quer as conceções políticas e morais sobre os seus lugares, direitos e experiências, erguem uma pluralidade de pontos de vista, geradora de controvérsias públicas. O melindre dos problemas produz desacordos que afetam o coração da própria intervenção e dos profissionais que a protagonizam: dos dilemas éticos motivados pelos casos mais sensíveis às diferentes conceções de risco, de perigo e de superior interesse da criança e do jovem, da (des) coordenação dos dispositivos e profissionais de intervenção ao embaraço provocado pelas situações quotidianas, do tratamento público dos problemas à preservação e resguardo da intimidade… Ademais, a injunção ao êxito da intervenção tornase tanto mais opressiva quanto mais complexos os problemas, sendo a medida da eficácia nem sempre compatível com (desejáveis) provas grandiosas de sucesso, mas mais com pequenos passos tateantes, inevitavelmente precários e inacabados.

Mapear futuros possíveis é, pois, a proposta de reflexão para as II Jornadas Técnicas Internacionais. Os três predicados que orientam as Jornadas – proteger, reparar, garantir – recentram o debate à volta dos sentidos plurais dos mundos da intervenção com jovens e, portanto, da pluralidade de conceções científicas, políticas, éticas e morais que governam a infância, a juventude e suas vulnerabilidades. Como proteger sem aniquilar os espaços de construção autónoma de si, de preservação da vida íntima e de garantia do direito a ser criança e jovem? Como neutralizar e reparar o dano nas biografias de crianças e jovens com histórias de vida conturbadas, evitando que o trabalho de reversão do dano seja tão dilacerante quanto o dano em si? Pode a preocupação com o risco tornar-se insuportávelquando o aparente conforto da proteção acolhedora oprime o sujeito tão dolorosamente quanto o cenário inóspito que motivou a institucionalização?

Como prevenir o encarceramento do jovem numa permanente condição de intervencionado (que faz do risco uma experiência total), evitando que a sofisticação das intervenções estilhace qualquer possibilidade de consistência biográfica? Como refazer os cenários institucionais no sentido de dissipar uma convivência turbulenta, aliviando tensões e prevenindo a deterioração dos laços entre jovens e entre jovens e adultos? Que possibilidades mapear no sentido de confecionar uma inclusão eficaz, não descurando a fadiga emocional e o sofrimento profissional associados, especialmente, à frustração das intervenções sem êxito? Como assegurar a jovens em situação de grande vulnerabilidade a preparação das qualidades mínimas necessárias à futura governação autónoma de si e da vida em sociedade?

Engrandecer a voz dos atores frágeis – tanto dos jovens quanto dos profissionais de intervenção – constitui, enfim, um desafio maior para o leque de problemas e desafios que se enfrentam nas diferentes artes de proteger, reparar e garantir o futuro possível. Partindo do contributo das ciências sociais, as II Jornadas Técnicas Internacionais pretendem assim trazer a debate, numa perspetiva interdisciplinar, problemas prementes da agenda da intervenção com jovens, explorando caminhos para a investigação aplicada nesse campo.

Chamada para apresentação de trabalhos

As propostas de apresentação de trabalhos deverão ser enviadas até dia 21 de Maio de 2017, para o e-mail (jornadastabor2017@gmail.com), contendo as seguintes informações: a) nome, formação académica e filiação institucional do(s) autor(es); b) título da proposta; c) resumo da proposta (mínimo 150 palavras, máximo 300 palavras); d) palavras-chave (mínimo 3, máximo 5); identificação da modalidade em que pretende fazer a apresentação do trabalho: comunicação ou poster. As propostas aceites e efetivamente apresentadas durante as Jornadas poderão, de acordo com o calendário, enviar versão definitiva do texto a ser publicado em e-book, após avaliação da Comissão Científica. As normas para a elaboração do texto final para publicação em e-book serão posteriormente transmitidas. Adicionalmente, poderá vir a ser organizado um número especial de revista ou publicação de livro, com base na seleção e avaliação científica dos textos.

As propostas aprovadas na modalidade «Comunicação» disporão de 15-20 minutos de apresentação. Inserem-se aqui as propostas que resultem de trabalhos de investigação, fundamental ou aplicada, concluídos ou em curso, em torno da intervenção socioeducativa junto de problemáticas infantis e juvenis, e que estejam alicerçadas em projetos com um referencial teórico e metodológico consolidado.

As propostas aprovadas na modalidade «Poster» disporão de 5 minutos de apresentação. Inserem-se aqui as propostas que resultem de projetos de intervenção, inovadores ou referenciais de boas práticas, concluídos ou em curso, em torno de uma ou várias das problemáticas enquadradoras das Jornadas. A apresentação do «Poster» deverá ser auxiliada por recursos audiovisuais (powerpoint, filme, fotografia, etc.) que ilustrem o projeto de intervenção apresentado.

Tanto as propostas de comunicação como as propostas de poster deverão ter em conta o foco central das Jornadas: mapear a intervenção socioeducativa com jovens através da trilogia proteger, reparar e garantir. Sem prejuízo de outras temáticas pertinentes que as propostas possam abarcar, pretende-se acolher trabalhos que, numa perspetiva disciplinar ou interdisciplinar, numa escala internacional, nacional ou local, privilegiam um ou vários dos seguintes tópicos:

  • As camadas da intervenção: precoce, prioritária, preventiva, remediativa…
  • A (des)coordenação dos dispositivos de intervenção
  • Os dilemas éticos da intervenção
  • O mundo dos profissionais: competências técnicas, relacionais e sofrimento profissional
  • Controvérsias em torno das conceções de risco, perigo, institucionalização e superior interesse da criança e do jovem
  • Escolas, famílias, intervenção social escolar e dinâmicas institucionais
  • A voz da criança e do jovem: participação e direitos humanos
  • Jovens, vulnerabilidades e orientação de futuros

Calendário

Envio de propostas de apresentação de trabalhos Até 21 de Maio de 2017
Informação sobre aceitação de propostas $Até 29 de Maio de 2017
Divulgação da versão final do programa Até 1 de Junho de 2017
II Jornadas Técnicas Internacionais 16-17 de Junho de 2017
Envio do texto para publicação em e-book Até 5 de Setembro de 2017
Informação sobre avaliação do texto para publicação em e-book Até 15 de Outubro de 2017
Lançamento do e-book Dezembro de 2017

Inscrições

Valor da inscrição: 20 euros

(valor único para público em geral e para comunicantes)

O pagamento da inscrição deve ser efetuado através de transferência bancária para o IBAN do Centro Jovem Tabor: PT50.0036.0043.99100438209.77. Deverá ser enviado o comprovativo da transferência bancária para o e-mail jornadastabor2017@gmail.com, necessário à emissão de recibo. Os certificados de participação serão enviados via e-mail após a realização das Jornadas.

Programa (versão provisória)

16 de Junho de 2017
9h Receção dos participantes
9h30 Sessão de Abertura
10h-11h Conferência I Proteger, reparar, garantir: uma trilogia inacabada da intervenção com jovens José Resende & Bruno Dionísio, Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA)
11h-11h30 Intervalo
11h30-13h Painel I Boas práticas do Sistema de proteção de crianças e jovens em perigo. A Rede social ao serviço das crianças e jovens mais desfavorecidos Olhares a partir das escolas, casas de acolhimento, famílias e rede social
14h30-15h30 Conferência II La vie publique de l'enfant Marc Breviglieri, Haute École de Travail Social de Genève
15h45-17h15 Painel II Investigar e intervir com jovens vulneráveis: olhares cruzados
17 de Junho de 2017
10h-11h Conferência III Quelle formation pour quelle intervention auprès des jeunes en difficulté? La politique publique française de formation des médiateurs « à la laïcité et aux valeurs de la République» Carole Gayet-Viaud, Centre d’Étude des Mouvements Sociaux, Institut Marcel Mauss, École des Hautes Études en Sciences Sociales
11h-12h30

Comunicações livres/posters - As camadas da intervenção: precoce, prioritária, preventiva, remediativa… - A (des)coordenação dos dispositivos de intervenção - Os dilemas éticos da intervenção - O mundo dos profissionais: competências técnicas, relacionais e sofrimento profissional - Controvérsias em torno das conceções de risco, perigo, institucionalização e superior interesse da criança e do jovem - Escolas, famílias, intervenção social escolar e dinâmicas institucionais - A voz da criança e do jovem: participação e direitos humanos - Jovens, vulnerabilidades e orientação de futuros

  • As camadas da intervenção: precoce, prioritária, preventiva, remediativa…
  • A (des)coordenação dos dispositivos de intervenção
  • Os dilemas éticos da intervenção
  • O mundo dos profissionais: competências técnicas, relacionais e sofrimento profissional
  • Controvérsias em torno das conceções de risco, perigo, institucionalização e superior interesse da criança e do jovem
  • Escolas, famílias, intervenção social escolar e dinâmicas institucionais
  • A voz da criança e do jovem: participação e direitos humanos
  • Jovens, vulnerabilidades e orientação de futuros
12h45-13h15 Sessão de Encerramento

Acompanhe a organização das Jornadas em:

https://jornadastabor2017.wordpress.com/

Questões e dúvidas deverão ser dirigidas à Comissão Organizadora através do e-mail:

jornadastabor2017@gmail.com